Relatório anual de acesso apresenta a atividade realizada em 2020

Os resultados apresentados no Relatório Anual de Acesso a Cuidados de Saúde nos estabelecimentos do SNS e entidades convencionadas, divulgado hoje, demonstram o caminho percorrido na construção de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) mais resiliente, num ano marcado pelo aparecimento da COVID-19, que obrigou à reorganização de serviços e à implementação de novos procedimentos que permitissem uma resposta adequada à prestação de cuidados de saúde.

Em 2020, o número de consultas presenciais nos Cuidados de Saúde Primários, sofreu um decréscimo de 38,5% face ao ano anterior. No entanto, através das novas tecnologias foi possível ultrapassar os constrangimentos relacionados com a pandemia, com recurso às teleconsultas, que registaram um aumento expressivo superior a 100%. No balanço final, foram efetuadas mais de 32,5 milhões de consultas médicas, um acréscimo de 3,1% em relação a 2019, e mais de 16,5 milhões de consultas de enfermagem.

No indicador relativo aos utentes com médico de família atribuído, atingiram-se em 2020, os 91,6%. Paralelamente, 86,3% dos utentes inscritos tinham enfermeiro de família, o que representou um aumento de 0,7% em relação a 2019. No ano passado, entraram ainda em funcionamento 17 novas Unidades de Saúde Familiares e mais duas Unidades de Cuidados na Comunidade.

Face aos desafios colocados pela pandemia, foram os hospitais que garantiram a resposta aos doentes internados em enfermaria e cuidados intensivos, envolvendo todo um trabalho de preparação e capacitação de resposta, de forma a assegurar as melhores condições de segurança para utentes, profissionais e restante comunidade hospitalar.

Assim, e apesar da diminuição da atividade assistencial hospitalar, particularmente no que respeita à realização de consultas médicas (-10,4%), cirurgias (-17,8%), e episódios de urgência (-29,1%), em 2021 constata-se já uma melhoria, comprovada pelos resultados do primeiro semestre, face ao período homólogo, com uma evolução positiva na recuperação do volume de cuidados prestados (consultar aqui).

Não obstante o contexto pandémico, em 2020, as cirurgias na área oncológica mantiveram-se dentro dos valores registados em 2018 e 2019, demonstrando a boa capacidade de resposta nesta área.

No que respeita a internamentos com diagnóstico COVID-19, registaram-se 28.167 episódios, com um tempo médio de internamento de 10,2 dias, sendo a população mais idosa a mais afetada por este vírus.

Quanto aos cuidados continuados, é de destacar o aumento em 5% do número de lugares de internamento na RNCCI em relação a 2019, contabilizando um total de 9.468 lugares, assim como o intenso trabalho realizado na priorização da atribuição de vaga a doentes provenientes dos hospitais do SNS (15.572 doentes colocados diretamente dos hospitais na RNCCI).

A evolução positiva da atividade no âmbito dos rastreios do cancro da mama, colo do útero e cólon e reto, registada nos últimos anos, foi igualmente afetada pela pandemia. No entanto, assiste-se  a uma recuperação em 2021, sendo já possível verificar uma melhoria no número de rastreios efetuados até junho deste ano.

Em 2020, merecem igualmente relevo as várias medidas adotadas pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de dotar o SNS dos meios físicos, humanos e materiais essenciais no combate à COVID-19. Entre estas, saliente-se o aumento da capacidade de testagem, o alargamento do número de camas de cuidados intensivos, o reforço de recursos humanos, assim como a implementação de um plano dedicado à vacinação COVID-19, medidas que permitiram responder às necessidades dos utentes no contexto da situação epidemiológica do país.

Este relatório, publicado anualmente, apresenta toda a atividade assistencial realizada em 2020, a nível nacional, assim como o desempenho dos estabelecimentos do SNS e entidades convencionadas em termos de acesso à prestação de cuidados de saúde.

Published on 6/9/2021

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